Documentos de Saúde
Modelo de Relatório Psicológico: Estrutura Profissional
Publicado em — Por Stefano Barcellos
O relatório psicológico é um documento escrito elaborado exclusivamente por psicóloga ou psicólogo regularmente inscrito no Conselho Regional de Psicologia (CRP). Sua finalidade é comunicar informações técnicas decorrentes de um acompanhamento, avaliação, atendimento ou intervenção psicológica, sempre de forma objetiva, ética e limitada ao que for necessário para atender à demanda apresentada.
Um modelo de relatório psicológico ajuda a organizar a redação e a garantir a presença dos elementos indispensáveis do documento. No Brasil, a elaboração deve observar especialmente a Resolução CFP nº 06/2019, com suas alterações vigentes, além do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Essas normas exigem linguagem clara, fundamentação técnico-científica, identificação adequada, respeito ao sigilo profissional e cuidado para não expor dados íntimos que não sejam pertinentes à finalidade do relatório.
O relatório não deve ser tratado como simples declaração de presença nem como diagnóstico automático. Ele registra, de maneira contextualizada, informações relevantes sobre a demanda, os procedimentos utilizados, a análise profissional e as conclusões ou encaminhamentos cabíveis. Quando houver necessidade de apresentar uma conclusão diagnóstica decorrente de avaliação psicológica, o profissional deve verificar se o documento mais apropriado é o laudo psicológico, conforme a finalidade concreta.
Quando usar o relatório psicológico
O relatório psicológico pode ser utilizado quando for necessário comunicar, a uma pessoa, instituição ou profissional legitimamente interessado, informações resultantes de um processo de trabalho psicológico. A solicitação deve ter finalidade definida e compatível com o dever de confidencialidade. Antes de emitir o documento, a psicóloga ou o psicólogo deve avaliar quem o receberá, qual informação é realmente necessária e se há autorização ou outra base ética e legal para o compartilhamento.
- Para registrar a evolução e os aspectos relevantes de acompanhamento psicoterapêutico, quando houver pedido fundamentado.
- Para subsidiar encaminhamentos a profissionais da saúde, da educação ou da assistência social.
- Para informar adaptações, necessidades de acompanhamento ou recomendações relacionadas a contexto escolar, sem expor conteúdos desnecessários da vida do paciente.
- Para responder a solicitações de instituições, desde que a finalidade seja legítima e a emissão respeite o sigilo profissional.
- Para comunicar resultados e providências de intervenções psicológicas em organizações, projetos sociais, serviços de saúde ou políticas públicas.
- Para documentar informações técnicas solicitadas pela própria pessoa atendida, por seu responsável legal ou por autoridade competente, dentro dos limites éticos e legais.
Em situações de disputa judicial, perícia, guarda, capacidade civil, violência ou outros temas com impacto jurídico, a escolha do documento e seu conteúdo exigem atenção reforçada. O relatório não deve assumir conclusões periciais sem que tenha havido perícia, nem reproduzir acusações como fatos sem base técnica. Quando aplicável, recomenda-se que o profissional consulte a regulamentação específica e preserve registros técnicos que sustentem o documento.
Modelo completo de relatório psicológico
RELATÓRIO PSICOLÓGICO
1. IDENTIFICAÇÃO
Pessoa atendida: [NOME COMPLETO DA PESSOA ATENDIDA]
Data de nascimento: [DD/MM/AAAA]
Responsável legal, se aplicável: [NOME COMPLETO]
Solicitante: [NOME DA PESSOA, ÓRGÃO OU INSTITUIÇÃO SOLICITANTE]
Finalidade do documento: [DESCREVER A FINALIDADE ESPECÍFICA]
Psicóloga(o) responsável: [NOME COMPLETO DO(A) PROFISSIONAL]
CRP: [NÚMERO E REGIÃO]
Período dos atendimentos ou da intervenção: [DATA INICIAL] a [DATA FINAL / EM ANDAMENTO]2. DESCRIÇÃO DA DEMANDA
O presente relatório psicológico é emitido a pedido de [NOME DO SOLICITANTE], para a finalidade de [FINALIDADE]. A demanda apresentada refere-se a [DESCREVER OBJETIVAMENTE O MOTIVO DO ACOMPANHAMENTO, DA SOLICITAÇÃO OU DA INTERVENÇÃO].Foram considerados, para os fins deste documento, apenas os dados pertinentes à finalidade informada, em observância ao sigilo profissional e aos princípios éticos aplicáveis.
3. PROCEDIMENTO
O trabalho psicológico foi realizado no período de [PERÍODO], por meio de [QUANTIDADE] [ATENDIMENTOS/ENTREVISTAS/SESSÕES/ATIVIDADES], com duração aproximada de [DURAÇÃO]. Foram utilizados os seguintes procedimentos técnico-científicos: [DESCREVER ENTREVISTAS, OBSERVAÇÃO, ESCUTA CLÍNICA, ANÁLISE DOCUMENTAL, INSTRUMENTOS PRIVATIVOS QUANDO CABÍVEIS, CONTATOS AUTORIZADOS OU OUTROS PROCEDIMENTOS].[INFORMAR, QUANDO PERTINENTE, AS PESSOAS OU FONTES OUVIDAS E O CONTEXTO EM QUE AS INFORMAÇÕES FORAM OBTIDAS, SEM EXCESSO DE DADOS PESSOAIS.]
4. ANÁLISE
Com base nos procedimentos realizados, observou-se que [APRESENTAR ANÁLISE TÉCNICA, CLARA E FUNDAMENTADA, RELACIONADA DIRETAMENTE À DEMANDA].[DESCREVER ASPECTOS RELEVANTES DO FUNCIONAMENTO PSICOLÓGICO, DA EVOLUÇÃO, DAS DIFICULDADES, DOS RECURSOS IDENTIFICADOS E DAS CONDIÇÕES CONTEXTUAIS, EVITANDO JUÍZOS MORAIS, RÓTULOS E INFORMAÇÕES SEM PERTINÊNCIA.]
[SE NECESSÁRIO, REGISTRAR LIMITES DO PROCESSO, COMO TEMPO DE ACOMPANHAMENTO, AUSÊNCIA DE DADOS COMPLEMENTARES OU IMPOSSIBILIDADE DE ALCANÇAR CONCLUSÃO MAIS AMPLA.]
5. CONCLUSÃO E ENCAMINHAMENTOS
Diante do exposto, conclui-se que [APRESENTAR A SÍNTESE TÉCNICA COMPATÍVEL COM A FINALIDADE DO RELATÓRIO].Recomenda-se [INDICAR CONTINUIDADE DE ACOMPANHAMENTO, ENCAMINHAMENTO, MEDIDAS DE SUPORTE, ADAPTAÇÕES OU OUTRAS PROVIDÊNCIAS, QUANDO CABÍVEIS].
Este relatório foi elaborado para a finalidade descrita no item 1 e não deve ser utilizado para objetivos diversos sem avaliação da psicóloga ou do psicólogo responsável. Seu conteúdo é confidencial e deve ser preservado pelo destinatário, nos limites da legislação e das normas profissionais aplicáveis.
[CIDADE], [DIA] de [MÊS] de [ANO].
[NOME COMPLETO DO(A) PSICÓLOGO(A)]
Psicóloga(o) – CRP [NÚMERO E REGIÃO]
[ASSINATURA E, QUANDO APLICÁVEL, ASSINATURA ELETRÔNICA VÁLIDA]
Como preencher o documento passo a passo
- Defina a finalidade antes de escrever. Registre com precisão quem solicitou o relatório, para qual propósito e qual será o destinatário. Uma finalidade clara orienta a seleção das informações e reduz o risco de exposição indevida.
- Identifique as partes de forma suficiente. Inclua a pessoa atendida, o solicitante, o profissional responsável e o número de CRP. Em caso de criança ou adolescente, identifique o responsável legal quando necessário, mantendo o foco na pessoa atendida.
- Descreva a demanda sem antecipar conclusões. Informe o motivo do atendimento ou da solicitação com linguagem neutra. Diferencie o que foi relatado pelo solicitante, o que foi observado e o que decorre da análise profissional.
- Apresente os procedimentos efetivamente realizados. Indique período, número aproximado de encontros e métodos utilizados. Não mencione testes ou instrumentos que não tenham sido empregados, nem forneça detalhes técnicos que comprometam seu uso privativo.
- Faça uma análise fundamentada e pertinente. Relacione os dados à finalidade do relatório. Evite transcrever sessões, revelar narrativas íntimas sem necessidade, usar termos estigmatizantes ou emitir opinião fora de sua área de competência.
- Conclua de modo proporcional aos dados disponíveis. A conclusão deve refletir os limites do processo realizado. Quando apropriado, apresente encaminhamentos concretos, como continuidade do acompanhamento, avaliação multiprofissional ou suporte institucional.
- Revise sigilo, identificação e assinatura. Confira datas, nomes, CRP, coerência interna e destinatário. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018, reforça o dever de proteger dados pessoais, especialmente os dados sensíveis relativos à saúde.
Perguntas comuns sobre relatório psicológico
Qual é a diferença entre relatório e laudo psicológico?
O relatório comunica informações sobre o trabalho psicológico realizado e seus resultados pertinentes à demanda. O laudo psicológico, por sua vez, é o documento resultante de um processo de avaliação psicológica e apresenta análise técnica com conclusão decorrente dessa avaliação. A escolha depende do objetivo, dos procedimentos realizados e das normas profissionais aplicáveis.
Qualquer pessoa pode preencher este modelo?
Não. O conteúdo técnico de um relatório psicológico deve ser elaborado e assinado por psicóloga ou psicólogo habilitado, com inscrição ativa no CRP. Pessoas atendidas, responsáveis, escolas e empresas podem solicitar o documento, mas não devem produzir ou alterar sua análise técnica.
O relatório psicológico precisa informar diagnóstico?
Não necessariamente. A inclusão de diagnóstico só deve ocorrer quando for tecnicamente fundamentada, relevante para a finalidade do documento e eticamente justificável. Em muitos casos, é suficiente descrever necessidades, condições observadas e recomendações, sem indicar classificação diagnóstica.
A instituição pode exigir o relatório completo?
A instituição deve informar a finalidade da solicitação, mas não pode exigir conteúdo que viole o sigilo profissional. Cabe ao profissional avaliar a pertinência do pedido e limitar o documento às informações necessárias. A pessoa atendida também deve saber, sempre que possível, qual será a destinação do documento.
O relatório tem prazo de validade?
Não há um prazo único e automático para todos os relatórios. Sua atualidade depende da finalidade, do contexto e do período a que se referem as informações. Mudanças relevantes no quadro ou no contexto podem exigir novo documento ou atualização profissional.
Este modelo tem caráter exclusivamente informativo e deve ser adaptado por profissional de Psicologia habilitado, conforme a finalidade do caso, as normas vigentes do Conselho Federal de Psicologia, o Código de Ética Profissional e a legislação aplicável.
Sobre o autor
Editor e redator de documentos
Stefano Barcellos é redator especializado em documentos jurídicos, administrativos e empresariais. Há mais de dez anos elabora e revisa modelos de petições, contratos, declarações e requerimentos, sempre com foco em clareza, correção formal e utilidade prática para o leitor.
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