Tecnologia e TI
Modelo de Relatório de Bug para Imprimir e Preencher
Publicado em — Por Stefano Barcellos
O modelo de relatório de bug para imprimir é um formulário usado para registrar, de forma clara e organizada, uma falha identificada em um sistema, aplicativo, site, equipamento ou processo digital. Ele transforma uma percepção genérica — como “o sistema não funciona” — em informações objetivas que permitem à equipe técnica reproduzir o problema, descobrir sua causa e acompanhar a solução.
Um bom relatório deve informar onde a falha ocorreu, o que a pessoa estava tentando fazer, quais etapas foram executadas, qual seria o resultado esperado, qual foi o resultado efetivamente observado e qual é o impacto do erro. Esses dados evitam trocas desnecessárias de mensagens e ajudam desenvolvedores, analistas, equipe de suporte, responsáveis por qualidade e gestores a priorizar o atendimento.
Embora seja muito utilizado no desenvolvimento de software, esse documento também serve para registrar defeitos em plataformas de atendimento, sistemas internos, ferramentas de gestão, sites de comércio eletrônico, aplicativos móveis, máquinas conectadas e recursos de automação. A versão impressa é especialmente útil em treinamentos, testes presenciais, auditorias, ambientes sem acesso imediato a ferramentas de chamados ou quando se deseja coletar relatos padronizados de diversos usuários.
Preencha cada campo com precisão e evite conclusões técnicas sem evidências. Em vez de escrever “o banco de dados caiu”, prefira relatar o comportamento percebido, por exemplo: “ao salvar o cadastro, a tela exibiu a mensagem ‘Erro 500’ e não confirmou a inclusão”. Se houver dados pessoais, dados de clientes, senhas, documentos ou outras informações confidenciais nas evidências, não os reproduza integralmente. Adote mascaramento e controle de acesso compatíveis com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018).
Quando usar o relatório de bug
Use este relatório sempre que for identificada uma divergência entre o comportamento esperado e o comportamento real de uma solução. O registro é adequado tanto para erros isolados quanto para falhas recorrentes, desde que cada ocorrência tenha informações suficientes para análise.
- Durante testes de aceitação, testes funcionais, testes de regressão ou homologação de sistemas.
- Quando um cliente, colaborador ou usuário interno encontrar uma falha em site, aplicativo ou plataforma.
- Para documentar erros em integrações, pagamentos, cadastros, relatórios, notificações ou permissões de acesso.
- Em auditorias de qualidade e no acompanhamento de incidentes operacionais.
- Ao comunicar uma vulnerabilidade ou falha com potencial de segurança, seguindo o procedimento interno de resposta a incidentes.
- Para criar histórico de correções, identificar erros repetitivos e medir a qualidade de versões entregues.
Não confunda bug com solicitação de melhoria. Um bug ocorre quando uma funcionalidade deixa de atuar como foi especificado, como é razoavelmente esperado ou como funcionava antes. Já uma melhoria propõe uma nova funcionalidade, alteração de fluxo ou aperfeiçoamento que não decorre necessariamente de defeito. Quando houver dúvida, descreva os fatos e deixe a classificação final para a pessoa ou equipe responsável pela triagem.
Modelo completo de relatório de bug para imprimir
RELATÓRIO DE BUG / REGISTRO DE FALHA
Número do registro: [NÚMERO DO CHAMADO OU CÓDIGO INTERNO]
Data do registro: [DD/MM/AAAA]
Hora do registro: [HH:MM]
Registrado por: [NOME COMPLETO]
Setor, empresa ou equipe: [SETOR / EMPRESA]
Contato: [E-MAIL OU TELEFONE]1. IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA
Título resumido do bug: [DESCREVA O ERRO EM UMA FRASE OBJETIVA]
Categoria: [FUNCIONALIDADE / INTERFACE / DESEMPENHO / INTEGRAÇÃO / SEGURANÇA / OUTRA]
Funcionalidade ou módulo afetado: [NOME DO MÓDULO, TELA OU RECURSO]
URL, tela, equipamento ou local da ocorrência: [ENDEREÇO / IDENTIFICAÇÃO]
Versão do sistema ou aplicativo: [VERSÃO, BUILD OU RELEASE]2. AMBIENTE EM QUE O BUG OCORREU
Dispositivo: [COMPUTADOR / CELULAR / TABLET / OUTRO]
Sistema operacional e versão: [EX.: WINDOWS 11, ANDROID 14, IOS 17]
Navegador e versão, se aplicável: [EX.: CHROME 123]
Tipo de acesso: [PRODUÇÃO / HOMOLOGAÇÃO / TESTE / DESENVOLVIMENTO]
Perfil do usuário utilizado: [ADMINISTRADOR / CLIENTE / OPERADOR / OUTRO]
Condições relevantes: [REDE, CONEXÃO, DADOS UTILIZADOS OU OUTRAS INFORMAÇÕES]3. DESCRIÇÃO DA OCORRÊNCIA
O que o usuário tentava fazer?
[DESCREVA O OBJETIVO DA AÇÃO]Passos para reproduzir o problema:
1. [PRIMEIRO PASSO]
2. [SEGUNDO PASSO]
3. [TERCEIRO PASSO]
4. [INCLUA OUTROS PASSOS NECESSÁRIOS]Resultado esperado:
[INFORME O QUE DEVERIA ACONTECER]Resultado obtido:
[INFORME O QUE ACONTECEU DE FATO, INCLUSIVE MENSAGENS DE ERRO]Frequência da ocorrência: [SEMPRE / ÀS VEZES / OCORREU UMA VEZ / NÃO FOI POSSÍVEL REPETIR]
Data e hora aproximadas da ocorrência: [DD/MM/AAAA – HH:MM]4. CLASSIFICAÇÃO E IMPACTO
Severidade: [BLOQUEADORA / ALTA / MÉDIA / BAIXA]
Prioridade sugerida: [URGENTE / ALTA / NORMAL / BAIXA]
Impacto para usuários ou operação:
[DESCREVA QUEM FOI AFETADO E QUAL A CONSEQUÊNCIA]Existe alternativa temporária? [SIM / NÃO]
Se sim, qual? [DESCREVA A SOLUÇÃO DE CONTORNO]5. EVIDÊNCIAS E OBSERVAÇÕES
Arquivos, imagens, vídeos ou logs anexados: [LISTE OS ANEXOS OU INFORME “NÃO HÁ”]
Identificação de mensagens, protocolos ou códigos de erro: [CÓDIGO / MENSAGEM]
Observações adicionais:
[INFORME DETALHES ÚTEIS, SEM INCLUIR SENHAS OU DADOS PESSOAIS DESNECESSÁRIOS]6. ACOMPANHAMENTO INTERNO
Responsável pela triagem: [NOME COMPLETO]
Status inicial: [ABERTO / EM ANÁLISE / REPRODUZIDO / AGUARDANDO INFORMAÇÕES]
Data da triagem: [DD/MM/AAAA]
Encaminhamento: [EQUIPE OU RESPONSÁVEL]
Data da correção: [DD/MM/AAAA, SE APLICÁVEL]
Validação da correção: [APROVADA / REPROVADA / PENDENTE]
Assinatura do registrante: [ASSINATURA]
Assinatura do responsável pela triagem: [ASSINATURA]
Como preencher o relatório passo a passo
- Crie um título específico. Resuma o defeito indicando a ação e a consequência. “Erro ao finalizar pagamento por PIX no aplicativo” é mais útil do que “problema no pagamento”.
- Identifique o local exato. Informe a tela, o módulo, a URL, o equipamento ou a etapa do processo em que o erro apareceu. Isso reduz o tempo de localização da ocorrência.
- Registre o ambiente. Indique dispositivo, sistema operacional, navegador, versão do aplicativo e ambiente utilizado. Uma falha pode ocorrer apenas em determinado navegador ou em uma versão específica.
- Liste os passos em ordem. Escreva ações que outra pessoa consiga repetir, sem pressupor conhecimentos que ela não possui. Quando houver dados de teste, identifique-os de modo seguro e não exponha informações reais protegidas.
- Separe resultado esperado e resultado obtido. Essa comparação é o núcleo do relatório. O esperado deve se basear em regra de negócio, manual, requisito ou comportamento anterior conhecido.
- Classifique o impacto com equilíbrio. Considere como bloqueadora uma falha que impede operação essencial e não tem alternativa viável. Erros visuais sem prejuízo funcional costumam ter menor severidade, salvo se afetarem acessibilidade, informação crítica ou confiança do usuário.
- Anexe evidências úteis. Capturas de tela, vídeos, logs e códigos de erro facilitam a análise. Antes de anexar, oculte senhas, tokens, CPF, e-mail, endereço, dados financeiros e qualquer dado pessoal sem necessidade para a apuração.
- Registre a solução e a validação. Depois da correção, teste novamente os passos que causavam o bug. Marque a validação como aprovada apenas quando o resultado esperado for alcançado e não houver efeito negativo evidente.
Boas práticas para um registro eficiente
Prefira linguagem objetiva, datas completas e termos verificáveis. Evite frases como “não funciona direito”, pois elas não revelam o que deve ser testado. Também é recomendável registrar um relatório para cada defeito principal. Se uma mesma tela apresentar dois comportamentos independentes, como falha ao salvar e erro na impressão, normalmente eles devem gerar registros separados para facilitar a priorização e o controle.
Em casos que envolvam indisponibilidade, vazamento potencial de informações, acesso indevido ou suspeita de incidente de segurança, comunique imediatamente o canal interno responsável, além de preencher este formulário. O relatório de bug não substitui planos de continuidade, procedimentos de segurança da informação, contrato de suporte ou obrigações legais eventualmente aplicáveis.
Perguntas comuns
Quem pode preencher um relatório de bug?
Qualquer pessoa que identifique a falha pode fazer o registro: usuário final, atendente, analista, testador, desenvolvedor ou gestor. A triagem técnica, porém, deve ser realizada por pessoa ou equipe designada para avaliar prioridade, causa e encaminhamento.
É obrigatório anexar uma imagem do erro?
Não. A imagem ajuda, mas não substitui uma descrição reproduzível. Um relatório com passos claros, ambiente e resultado observado pode ser suficiente. Quando possível, anexe evidências que não contenham dados sensíveis.
Qual é a diferença entre severidade e prioridade?
Severidade mede o efeito técnico ou operacional da falha. Prioridade indica a urgência de tratá-la, considerando usuários afetados, prazos, riscos e objetivos do negócio. Um erro de baixa severidade pode receber prioridade alta se estiver em uma campanha ou entrega iminente.
Posso usar o modelo para sistemas internos?
Sim. Basta adaptar os campos de módulo, ambiente, perfil de usuário e responsável pela triagem à realidade da organização. Para controles internos, mantenha uma numeração de chamados e arquive os formulários conforme a política documental da empresa.
Este modelo tem caráter exclusivamente informativo e deve ser adaptado às regras internas, aos contratos e às necessidades técnicas de cada organização. Em situações que envolvam segurança da informação, proteção de dados pessoais ou riscos relevantes, busque orientação especializada.
Sobre o autor
Editor e redator de documentos
Stefano Barcellos é redator especializado em documentos jurídicos, administrativos e empresariais. Há mais de dez anos elabora e revisa modelos de petições, contratos, declarações e requerimentos, sempre com foco em clareza, correção formal e utilidade prática para o leitor.
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