Financeiro
Modelo de Plano de Contas: Estrutura Pronta para Imprimir
Publicado em — Por Stefano Barcellos
O modelo de plano de contas para imprimir é uma estrutura organizada de códigos e nomes de contas usada para classificar os fatos financeiros e patrimoniais de uma empresa, associação, profissional autônomo ou outro tipo de organização. Na prática, ele funciona como um mapa: indica onde cada entrada, saída, bem, dívida, receita, custo e despesa deve ser registrado.
Um plano bem elaborado facilita a rotina de lançamentos, a análise dos resultados e a preparação de relatórios como balancete, balanço patrimonial, demonstração do resultado e fluxo de caixa. Também reduz erros, pois cria um padrão para toda a equipe. Este modelo é uma base geral, pronta para copiar, editar e imprimir. Ele deverá ser ajustado ao porte, ao segmento e à forma de tributação do negócio.
Embora seja muito útil para controles internos, um plano de contas destinado à escrituração contábil oficial precisa ser compatível com as normas aplicáveis e com a orientação do profissional de contabilidade responsável. No Brasil, a escrituração deve observar, entre outras regras pertinentes, o Código Civil, a legislação tributária e as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.
Quando usar um plano de contas
Use um plano de contas quando precisar criar ou padronizar a organização financeira e contábil de uma atividade. Ele pode ser adotado desde a abertura do negócio ou revisado quando a estrutura atual não permite identificar com clareza a origem das receitas e o destino dos gastos.
- Na implantação de um sistema financeiro, ERP ou software de contabilidade.
- Na organização de planilhas de entradas e saídas de uma pequena empresa.
- Na preparação de registros para envio ao contador.
- Na separação entre custos, despesas administrativas, despesas comerciais e despesas financeiras.
- Na criação de relatórios gerenciais por área, unidade, projeto ou centro de custo.
- Na revisão de contas duplicadas, genéricas ou sem movimentação relevante.
- Na organização financeira de associações, condomínios, entidades sem fins lucrativos e produtores rurais, com as adaptações necessárias.
É importante diferenciar o plano de contas do fluxo de caixa. O fluxo de caixa acompanha o dinheiro efetivamente recebido e pago em determinado período. Já o plano de contas é uma classificação mais ampla, que pode contemplar contas patrimoniais, receitas, custos e despesas, mesmo quando o pagamento ou recebimento ocorre em outra data.
Modelo completo de plano de contas para imprimir
Preencha os dados de identificação e mantenha somente as contas úteis à sua realidade. Os códigos abaixo seguem uma lógica hierárquica: o primeiro nível identifica o grande grupo, os níveis seguintes detalham os subgrupos e as contas de movimentação.
PLANO DE CONTAS
Empresa/Entidade: [NOME DA EMPRESA OU ENTIDADE]
CNPJ/CPF: [CNPJ OU CPF]
Período de vigência: [DATA INICIAL] a [DATA FINAL OU “POR PRAZO INDETERMINADO”]
Elaborado por: [NOME DO RESPONSÁVEL]
Data de atualização: [DATA]1. ATIVO
1.1 Ativo Circulante
1.1.01 Disponibilidades
1.1.01.001 Caixa
1.1.01.002 Bancos Conta Movimento
1.1.01.003 Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata
1.1.02 Créditos de Curto Prazo
1.1.02.001 Clientes / Duplicatas a Receber
1.1.02.002 Cartões a Receber
1.1.02.003 Adiantamentos a Fornecedores
1.1.02.004 Adiantamentos a Empregados
1.1.02.005 Impostos a Recuperar
1.1.03 Estoques
1.1.03.001 Mercadorias para Revenda
1.1.03.002 Matérias-Primas
1.1.03.003 Produtos Acabados
1.1.03.004 Materiais de Consumo
1.1.04 Despesas Antecipadas
1.1.04.001 Seguros a Apropriar
1.1.04.002 Aluguéis Antecipados
1.1.04.003 Assinaturas e Licenças Antecipadas1.2 Ativo Não Circulante
1.2.01 Realizável a Longo Prazo
1.2.01.001 Clientes a Receber de Longo Prazo
1.2.01.002 Depósitos Judiciais
1.2.02 Investimentos
1.2.02.001 Participações Societárias
1.2.03 Imobilizado
1.2.03.001 Máquinas e Equipamentos
1.2.03.002 Veículos
1.2.03.003 Móveis e Utensílios
1.2.03.004 Equipamentos de Informática
1.2.03.005 Benfeitorias em Imóveis
1.2.03.099 (-) Depreciação Acumulada
1.2.04 Intangível
1.2.04.001 Softwares
1.2.04.002 Marcas e Patentes
1.2.04.099 (-) Amortização Acumulada2. PASSIVO
2.1 Passivo Circulante
2.1.01 Fornecedores
2.1.01.001 Fornecedores de Mercadorias e Serviços
2.1.02 Obrigações Trabalhistas
2.1.02.001 Salários a Pagar
2.1.02.002 Férias a Pagar
2.1.02.003 Encargos Sociais a Recolher
2.1.03 Obrigações Tributárias
2.1.03.001 Tributos Federais a Recolher
2.1.03.002 Tributos Estaduais a Recolher
2.1.03.003 Tributos Municipais a Recolher
2.1.04 Obrigações Financeiras
2.1.04.001 Empréstimos e Financiamentos a Pagar
2.1.04.002 Juros a Pagar
2.1.05 Outras Obrigações
2.1.05.001 Aluguéis a Pagar
2.1.05.002 Adiantamentos de Clientes
2.1.05.003 Pró-labore a Pagar2.2 Passivo Não Circulante
2.2.01 Empréstimos e Financiamentos de Longo Prazo
2.2.02 Provisões para Contingências
2.2.03 Obrigações de Longo Prazo3. PATRIMÔNIO LÍQUIDO
3.1 Capital Social / Patrimônio Social
3.1.01 Capital Subscrito
3.1.02 (-) Capital a Integralizar
3.2 Reservas
3.2.01 Reserva Legal
3.2.02 Reservas de Lucros
3.3 Resultados Acumulados
3.3.01 Lucros ou Prejuízos Acumulados4. RECEITAS
4.1 Receitas Operacionais
4.1.01 Receita de Venda de Mercadorias
4.1.02 Receita de Venda de Produtos
4.1.03 Receita de Prestação de Serviços
4.1.04 Receita de Fretes
4.1.05 Outras Receitas Operacionais
4.2 Deduções da Receita Bruta
4.2.01 Devoluções e Cancelamentos
4.2.02 Descontos Incondicionais Concedidos
4.2.03 Impostos Sobre Vendas e Serviços
4.3 Receitas Financeiras
4.3.01 Rendimentos de Aplicações Financeiras
4.3.02 Juros Ativos
4.3.03 Descontos Obtidos5. CUSTOS
5.1 Custos das Mercadorias, Produtos ou Serviços Vendidos
5.1.01 Custo das Mercadorias Vendidas
5.1.02 Custo dos Produtos Vendidos
5.1.03 Custo dos Serviços Prestados
5.1.04 Fretes Sobre Compras
5.1.05 Materiais Aplicados na Produção ou Serviço
5.1.06 Mão de Obra Direta
5.1.07 Custos Indiretos de Produção6. DESPESAS
6.1 Despesas com Pessoal
6.1.01 Salários e Ordenados
6.1.02 Pró-labore
6.1.03 Férias, 13º Salário e Encargos
6.1.04 Benefícios e Treinamentos
6.2 Despesas Administrativas
6.2.01 Aluguel e Condomínio
6.2.02 Energia Elétrica, Água e Gás
6.2.03 Telefonia e Internet
6.2.04 Material de Escritório e Limpeza
6.2.05 Honorários Contábeis e Jurídicos
6.2.06 Sistemas, Softwares e Assinaturas
6.2.07 Manutenção e Reparos
6.3 Despesas Comerciais
6.3.01 Marketing e Publicidade
6.3.02 Comissões sobre Vendas
6.3.03 Fretes Sobre Vendas
6.3.04 Viagens e Representação Comercial
6.4 Despesas Financeiras
6.4.01 Tarifas Bancárias
6.4.02 Juros e Multas Pagos
6.4.03 Descontos Concedidos
6.5 Outras Despesas Operacionais
6.5.01 Perdas Estimadas e Baixas
6.5.02 Doações e Contribuições
6.5.03 Multas Não Tributárias7. CONTAS DE CONTROLE
7.1 Bens de Terceiros em Poder da Empresa
7.2 Bens da Empresa em Poder de Terceiros
7.3 Garantias Prestadas
7.4 Garantias RecebidasAprovação:
[NOME DO RESPONSÁVEL PELA ADMINISTRAÇÃO]
Assinatura: [ASSINATURA] Data: [DATA]
Responsável técnico, quando aplicável:
[NOME DO PROFISSIONAL DE CONTABILIDADE] – CRC [NÚMERO/UF]
Assinatura: [ASSINATURA] Data: [DATA]
Como preencher e adaptar o modelo
- Identifique a organização. Informe nome empresarial ou nome da entidade, CNPJ ou CPF, período de validade e responsável pela elaboração. Para uma versão interna simples, esses dados ajudam no controle de revisões.
- Defina a finalidade. Verifique se o documento será usado somente para gestão financeira, para integração com sistema ou para escrituração contábil formal. Quanto maior a exigência, maior deve ser o alinhamento com o contador.
- Mantenha os grupos principais. Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas, Custos e Despesas são grupos usuais. As contas de controle podem ser necessárias em situações específicas, como mercadorias em consignação ou bens de terceiros.
- Escolha contas que representem operações reais. Uma loja pode manter “Mercadorias para Revenda” e “Custo das Mercadorias Vendidas”. Uma prestadora de serviços pode priorizar “Receita de Prestação de Serviços”, “Mão de Obra Direta” e “Custo dos Serviços Prestados”. Não é necessário conservar contas que nunca serão utilizadas.
- Evite classificações genéricas. Em vez de registrar todo gasto em “Diversos”, crie contas úteis para análise, como marketing, manutenção, combustíveis ou softwares. Ainda assim, evite excesso de detalhamento: dezenas de contas pouco movimentadas tornam o controle difícil.
- Padronize a numeração. O código deve mostrar a hierarquia. No modelo, “6” é Despesas, “6.2” é Despesas Administrativas e “6.2.06” é Sistemas, Softwares e Assinaturas. Não altere códigos já vinculados a lançamentos sem orientação, pois isso pode prejudicar comparações históricas.
- Separe custo de despesa. Em termos gerais, custo é o gasto diretamente ligado à produção, à compra de mercadorias para revenda ou à execução do serviço. Despesa é o gasto necessário à administração, venda ou financiamento da atividade. Essa separação contribui para apurar margens e rentabilidade.
- Registre uma política de uso. Oriente a equipe sobre exemplos de lançamentos para cada conta e defina quem poderá criar ou alterar códigos. Revise o plano periodicamente, de preferência antes do início de cada exercício, mas preserve a consistência dos períodos anteriores.
Perguntas comuns sobre plano de contas
Pequena empresa precisa ter plano de contas?
Sim. Mesmo uma operação pequena se beneficia de uma classificação mínima de caixa, bancos, clientes, fornecedores, receitas, custos e despesas. O grau de detalhamento será menor, mas a organização permite acompanhar resultados e fornece informações melhores ao contador.
Posso usar o mesmo plano de contas para controle financeiro e contabilidade?
É possível usar uma base integrada, sobretudo com softwares adequados. Porém, controles financeiros podem ter categorias gerenciais adicionais, enquanto a escrituração contábil segue critérios técnicos próprios. O ideal é que haja correspondência clara entre as categorias, sem presumir que todo registro de caixa seja, isoladamente, um lançamento contábil completo.
O código das contas é obrigatório?
Não existe uma numeração única obrigatória para todas as empresas. A codificação é uma prática de organização. O essencial é que seja lógica, consistente e compatível com os relatórios e sistemas utilizados. Empresas submetidas a obrigações específicas podem precisar observar layouts e planos referenciais exigidos pelos respectivos sistemas.
Com que frequência o plano de contas deve ser atualizado?
Faça uma revisão pelo menos anual e sempre que houver nova linha de negócio, mudança relevante de operação, implantação de sistema ou necessidade de relatórios mais detalhados. Antes de excluir uma conta antiga, confira se ela possui saldo ou lançamentos que precisam ser preservados no histórico.
MEI pode utilizar este modelo?
O MEI pode usar uma versão simplificada para administrar entradas e gastos. Contudo, suas obrigações são diferentes das de sociedades empresárias e a necessidade de escrituração contábil formal depende da situação concreta. Em caso de crescimento, contratação de empregados, busca de crédito ou dúvidas tributárias, vale consultar um contador.
Este modelo tem caráter exclusivamente informativo e deve ser adaptado à realidade da organização. Para escrituração contábil, obrigações fiscais, distribuição de lucros, demonstrações financeiras ou decisões com efeitos legais e tributários, consulte um profissional de contabilidade habilitado.
Sobre o autor
Editor e redator de documentos
Stefano Barcellos é redator especializado em documentos jurídicos, administrativos e empresariais. Há mais de dez anos elabora e revisa modelos de petições, contratos, declarações e requerimentos, sempre com foco em clareza, correção formal e utilidade prática para o leitor.
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